O economista-chefe e sócio-fundador da Legacy Capital, Pedro Jobim, lançou um alerta para o mercado brasileiro: uma eventual recessão poderá resultar em perdas de magnitude inédita para investidores, incluindo pessoas físicas e institucionais. O motivo, segundo ele, está no atual ciclo de endividamento, que é sustentado pelos instrumentos do mercado de capitais e não mais pelo crédito bancário tradicional, cenário diferente das crises anteriores vividas no Brasil.

Ciclo de endividamento e risco para investidores

Pedro Jobim destaca que, ao contrário do cenário de 2015 e 2016, quando o crédito bancário foi o principal fomentador do endividamento privado, o ciclo atual jogou os riscos diretamente para os investidores finais, por meio de debêntures, fundos de investimentos e outros produtos do mercado de capitais. O aumento persistente dos juros reais nos últimos anos, segundo o economista, elevou as despesas financeiras das empresas, impulsionando pedidos de recuperação judicial e aumentando tanto a inadimplência quanto as provisões bancárias.

O caso recente da recuperação judicial das Casas Bahia é apontado como sintomático do momento, afetando a confiança de empresários e investidores e intensificando o pessimismo na economia nacional.

Impacto fiscal e cenário político

Jobim afirma que uma recessão derrubaria a arrecadação do governo. No entanto, as despesas públicas brasileiras, majoritariamente obrigatórias e indexadas, continuariam a subir na ausência de reformas estruturais — como nova reforma da previdência, retorno do teto de gastos ou privatizações. Para Jobim, tais medidas são incompatíveis com a atual administração federal. Ele destaca ainda que a dívida bruta do governo geral atingiu 81,9% do PIB em junho (R$ 10,8 trilhões), um valor recorde, segundo dados recentes do Banco Central do Brasil.

Apesar de o Ministério da Fazenda argumentar que o crescimento da dívida já estava no radar devido ao patamar dos juros, o mercado financeiro passou a enxergar riscos aumentados de retração econômica em 2027 diante do elevado endividamento das empresas, das famílias e do próprio governo. Ainda assim, grande parte das projeções oficiais não incorporou retração para o próximo ano.

Mercado internacional e reflexos no Brasil

O artigo de Pedro Jobim também menciona a situação fiscal dos Estados Unidos, que superou a marca histórica de US$ 40 trilhões em dívida federal bruta. O aumento dos rendimentos dos Treasuries e o impacto em mercados de risco são lembrados como fatores de incerteza global, com efeito sobre países emergentes como o Brasil.

Jobim considera a eleição presidencial de outubro como um divisor de águas para o país, defendendo a “reorganização” da política econômica. Em sua análise, a reeleição do atual presidente levaria a cenários mais adversos, sobretudo em relação à condução fiscal e ao endividamento público.

O que esperar daqui para frente?

Com a manutenção dos juros em patamar elevado e sem perspectiva de reformas fiscais profundas, segundo Pedro Jobim, o Brasil pode enfrentar um cenário desafiador de crescimento, com impactos diretos na rentabilidade dos ativos dos investidores. O mercado monitorará de perto ações do governo, desempenho das empresas e tendências do mercado de capitais para calibrar expectativas e estratégias.

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