A possibilidade de o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil crescer mais de 2% em 2026 está cada vez mais remota, de acordo com avaliações recentes de economistas do mercado. Após as últimas divulgações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre varejo, indústria e serviços, analistas reforçam a expectativa de desaceleração econômica em meio a juros elevados.

Setores sinalizam desaceleração econômica

No mês de junho, os dados do IBGE apontaram crescimento modesto de apenas 0,5% no volume de vendas do varejo frente a maio, enquanto o varejo ampliado — que inclui veículos e materiais de construção — recuou 1%, marcando a quarta queda consecutiva. O setor de serviços manteve-se estável (0%), depois de um leve recuo em maio, e a indústria brasileira apresentou retração de 1,8% no período, indicando o segundo resultado negativo seguido para as fábricas.

Esses números sugerem que diferentes setores da economia estão sendo impactados pelos juros altos, política adotada para controlar a inflação, mas que termina por frear o consumo e o ritmo produtivo.

Projeções de PIB cada vez mais tímidas

Segundo o Boletim Focus do Banco Central, a mediana das projeções para o crescimento do PIB brasileiro em 2026 caiu para 1,98%, após registrar estimativa de 1,99% na semana anterior. Economistas como Sergio Vale, da MB Associados, projetam expansão de 1,7% para o ano, bem abaixo dos 2,3% esperados pelo Ministério da Fazenda. O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve previsão otimista de 2,4% para 2026, mas o consenso nas consultorias e casas de análise é de maior cautela.

Para André Valério, economista do banco Inter, é "pouco provável" perceber o PIB acima de 2% neste cenário, já que múltiplos indicadores apontam para enfraquecimento do dinamismo econômico apesar dos incentivos fiscais implementados pelo governo.

Impacto dos juros e expectativas para 2026

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 14% ao ano no início de agosto, sinalizando que a inflação ainda preocupa e exigirá manutenção dos juros elevados. "A economia começa a desacelerar mais intensamente e o PIB acima de 2% se torna menos factível", afirma Sergio Vale.

A XP Investimentos projeta alta de 2% para o PIB em 2026 e apenas 1% em 2027, destacando que o consumo das famílias também perdeu força devido ao endividamento e à política de crédito restritivo. Para Rodolpho Sartori, da consultoria Buysidebrazil, "é saudável essa acomodação, pois o crescimento contínuo poderia ampliar a inflação".

Caso as projeções do mercado se confirmem, 2026 será o primeiro ano com crescimento inferior a 2% desde 2020, período marcado pelo impacto mais severo da pandemia sobre a economia brasileira.

Próximos passos e o que acompanhar

O IBGE divulgará no dia 1º de setembro o resultado oficial do PIB do segundo trimestre, que deve confirmar a tendência de desaceleração prevista pelos mercados. Analistas apontam que, salvo uma reviravolta significativa nos indicadores de consumo, indústria e serviços, o Brasil deve crescer abaixo de 2% em 2026, rompendo um ciclo recente de maior expansão.

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