A CVC Corp, uma das maiores empresas de turismo do Brasil, reportou um prejuízo líquido de R$ 72,5 milhões no segundo trimestre de 2026, um aumento de 56,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O resultado reflete o impacto direto do aumento dos preços do petróleo, a variação do câmbio e despesas significativas relacionadas ao processo de reestruturação da companhia.
Pressão do petróleo e do câmbio no resultado
O avanço do preço do petróleo no mercado internacional, especialmente em razão da guerra no Oriente Médio, tornou as passagens aéreas mais caras. Isso comprimiu as margens da CVC Corp, que já enfrentava concorrência acirrada e desafios no setor de turismo. Além disso, o câmbio desfavorável contribuiu para uma queda expressiva na receita na Argentina, que foi de R$ 49,7 milhões, uma retração de 17,6%.
Receita menor e Ebitda em queda
No Brasil, a receita líquida recuou 4,2%, totalizando R$ 269 milhões, impulsionada principalmente pela diminuição das vendas ao consumidor final, que caíram 8,9%. Mesmo com aumento de 2,5% nas vendas corporativas, o ambiente macroeconômico dificultou a recuperação do segmento. O Ebitda ajustado apresentou retração de 8,1%, atingindo R$ 84,9 milhões, com a margem Ebitda caindo para 26,6%.
Reestruturação e demissões
Durante o trimestre, a companhia realizou uma reestruturação profunda, que incluiu o corte de cerca de 200 vagas no Brasil e na Argentina – aproximadamente 12% de seu quadro total de funcionários. As despesas gerais e administrativas no Brasil tiveram recuo de 10,1%; sem considerar os custos relacionados às rescisões trabalhistas, essa redução seria expressiva em 21%. Segundo a administração da empresa, estima-se que os esforços de simplificação organizacional podem gerar uma economia superior a R$ 80 milhões em 2026, sem considerar as despesas de desligamentos.
Investimentos digitais e renúncia no Conselho
Outro ponto destacado foi o investimento contínuo da companhia em inovação e digitalização dos processos, fator que pressionou o resultado por elevar os aportes necessários em tecnologia. Em meio ao período turbulento, a empresa ainda recebeu a renúncia de Fernando Cinelli, membro do Conselho de Administração, cuja vaga permanece aberta até definição de substituto.
Endividamento e perspectivas
A CVC encerrou junho com uma dívida líquida de R$ 215 milhões, valor R$ 26,8 milhões inferior ao trimestre anterior, indicando disciplina financeira em meio ao cenário desafiador. A alavancagem se manteve em 0,5 vez e a empresa conta atualmente com 1.443 lojas ativas no Brasil. Segundo a administração, o prejuízo líquido ajustado do período foi consequência de itens não recorrentes da reestruturação, maior despesa financeira líquida – por conta da antecipação de recebíveis – e investimentos digitais.
Para os próximos meses, a expectativa da empresa é colher os frutos dos ajustes internos e do reforço digital, esperando geração de valor a longo prazo para acionistas e clientes.
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