O programa Move Brasil, criado pelo governo para facilitar o acesso ao crédito destinado à compra de veículos novos para motoristas de aplicativo e taxistas, liberou até agora apenas 11,3% dos R$ 30 bilhões previstos. O levantamento, atualizado até meados de maio, mostra que foram concedidos R$ 3,44 bilhões em financiamentos para cerca de 33,4 mil motoristas. A maioria dos beneficiários (27 mil) atua em aplicativos, enquanto os demais (6 mil) são taxistas. As mulheres correspondem a 5% dos contratos, com direito a juros mais baixos.

Lenta liberação de crédito e justificativas do governo

A baixa execução do programa é motivo de preocupação dentro do governo federal. De acordo com membros da equipe econômica, a principal barreira foi a restrição de crédito imposta pelos grandes bancos privados, que teriam elevado o risco dos trabalhadores de aplicativos além do razoável. O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria Geral da Presidência, manifestou publicamente a insatisfação e cobrou mais agilidade e respeito dos bancos privados com esse público. "Os bancos têm sido excessivamente restritivos na concessão de crédito e deveriam olhar com mais respeito para esses trabalhadores", afirmou.

Entre os grandes bancos privados, apenas o Santander aderiu ao programa, ainda assim, liberando menos crédito do que o esperado pelo governo. O financiamento de automóveis dentro do Move Brasil tem juros fixados pelo Conselho Monetário Nacional em 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, patamares bem abaixo da média de mercado, que chega a 28% ao ano.

Fatores operacionais e falhas de comunicação

O governo reconheceu ainda demora no acionamento do Fundo Garantidor de Investimentos (FGI), recurso que diminui o risco dos bancos ao cobrir parte das operações de crédito. O fundo só entrou em vigor duas semanas após o início do programa, o que comprometeu o início das liberações e gerou insegurança entre potenciais beneficiários. Além disso, a comunicação falha com o público-alvo contribuiu para expectativas equivocadas: muitos motoristas acreditaram que teriam o crédito aprovado mesmo com o nome negativado, o que não ocorreu.

A diretora de crédito digital do BNDES, Maria Fernanda Coelho, aponta que as instituições financeiras tiveram uma curva de aprendizado para ajustar a concessão do crédito ao perfil dos motoristas de aplicativo. Em alguns casos, o cálculo da renda disponível não considerava corretamente a troca do custo de aluguel do veículo pelo valor da prestação do financiamento. Com adaptações e mais informações, a média semanal de liberações subiu de R$ 300 milhões para R$ 700 milhões.

Expectativas para o futuro do Move Brasil

O prazo para contratação dos créditos vai até 15 de setembro, e representantes do governo afirmam que ainda não há definição sobre uma possível prorrogação do programa. Até o momento, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e a montadora Stellantis são os atores que mais concederam financiamentos, com destaque nas vendas das marcas BYD, Fiat e Chevrolet.

A implementação parcial do programa acendeu alerta sobre a necessidade de melhor comunicação com trabalhadores autônomos e revisão dos critérios de risco por parte dos bancos. O governo analisa formas de aprimorar a execução e espera maior adesão bancária até o fim do prazo, buscando ao menos aproximar-se da meta original.

Fique por dentro das últimas notícias econômicas do Brasil em brazileconomy.world