As promessas econômicas feitas por Paulo Guedes durante a campanha eleitoral de 2018, ao lado do então candidato Jair Bolsonaro, voltam a ser destaque em um cartum que satiriza as expectativas criadas pelo time econômico. Na ocasião, Guedes — apresentado como o "Posto Ipiranga" de Bolsonaro — defendia metas ambiciosas, como zerar o déficit público já em 2019, vender todas as estatais e reduzir a carga tributária.
As metas da equipe econômica em 2018
Durante a campanha, o discurso de Guedes chamava atenção por sua promessa de equacionar as contas públicas rapidamente e de adotar um forte programa de privatizações. As propostas despertaram otimismo junto ao mercado financeiro, que aguardava por mudanças estruturais profundas na economia brasileira.
- Déficit zero em 2019: A ideia era acabar com o rombo nas contas públicas já no primeiro ano do novo governo.
- Venda de todas as estatais: Privatização massiva de empresas públicas, como parte da aposta em um Estado menor.
- Redução de impostos: Uma reforma tributária ampla era apresentada como parte do plano para reaquecer a economia.
A realidade após quatro anos de governo
O cartum de Cláudio Hebdô traz as promessas em tom irônico, mostrando o próprio Guedes relembrando os compromissos não atingidos. A realidade foi diferente do planejado: o déficit fiscal persistiu, poucas estatais foram privatizadas e a reforma tributária, considerada essencial, não saiu do papel. O desempenho aquém do prometido alimentou críticas, inclusive de aliados e setores do mercado.
Ao centro da ilustração, Jair Bolsonaro aparece sentado com tornozeleira eletrônica, simbolizando as controvérsias políticas e judiciais que afetaram a imagem do governo. Ele admite no cartum: "Vender soluções fáceis para problemas complexos faz parte da campanha!"
Impactos no debate econômico e político
O não cumprimento das metas econômicas influenciou o debate político, principalmente na campanha de 2022. O bordão "Só o filho do Messias salva!", levantado por Flávio Bolsonaro no cartum, ironiza a aposta em soluções pessoais e carismáticas, mas o quadro conclui: "Não funcionou em 2022!"
Especialistas apontam que a falta de resultados concretos aumentou o ceticismo sobre promessas de reformas e privatizações nos processos eleitorais. Para parte do mercado, o episódio serve de alerta diante de futuras campanhas recheadas de propostas ambiciosas sem respaldo técnico e viabilidade política.
O que esperar dos próximos ciclos eleitorais?
Com as próximas eleições, o eleitor brasileiro tende a analisar com mais ceticismo as plataformas econômicas dos candidatos. O fracasso em entregar o déficit zero, as privatizações massivas e a redução de impostos contribui para a desconfiança do público quanto à viabilidade de grandes promessas feitas em campanhas.
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