Saber criar um bom produto pode ser o primeiro passo para abrir uma empresa, mas expandi-la exige habilidades que vão além da produção. Essa foi a tônica do painel do Choque de Gestão, reality de negócios realizado durante o SP2B, evento de inovação e empreendedorismo em São Paulo, que reuniu Carole Crema e José Carlos Semenzato para debater quando o empreendedor deve buscar ajuda para crescer.

Da produção à gestão: aprendizados de quem fez acontecer

Carole Crema fundou seu negócio de doces em 2002. Apesar de dominar a cozinha, ela relata ter aprendido sobre números e administração à medida que sua empresa evoluía. Passou por expansão e, mais tarde, concentrou forças na produção para restaurantes, reforçando que a gestão é fundamental para tornar o negócio sustentável.

Já José Carlos Semenzato, fundador da SMZTO e referência em franquias, reforçou que a estrutura é essencial, e nem sempre o empreendedor possui todas as competências necessárias desde o início. Ele aconselha: identificar limitações e pedir auxílio precoce é vital para evitar erros que travam o crescimento.

Saber identificar e monitorar indicadores fundamentais

No painel, um dos principais pontos discutidos foi a necessidade de conhecer e monitorar os dados críticos do negócio. Como apontou Carole, não basta saber produzir: é fundamental acompanhar custos, margens, fluxo de caixa e precificação correta dos produtos, sem negligenciar itens como embalagem, transporte e tributos no cálculo do preço final.

Na prática, empresários como Nicole Hirata, dona da Loulou Pâtisserie, exemplificam essa transição. Ela passou do trabalho artesanal à produção em escala, mas enfrentou dificuldades em encarar as finanças, preferindo a cozinha às planilhas. O conselho de Carole foi começar pelo básico e entender o impacto dos números antes de sofisticar controles.

Complementar habilidades e formar um time estratégico

Semenzato destacou que desviar a energia do empreendedor daquilo em que é melhor pode ser prejudicial. Ou seja, quem se destaca em criar doces ou liderar equipes comerciais deve buscar parceiros ou funcionários que tragam as competências administrativas ausentes. A recomendação é formar equipes com habilidades complementares e investir tempo na contratação.

Carole alerta, porém, que delegar totalmente o acompanhamento financeiro sem certo entendimento pode ser um erro. Mesmo com profissionais especializados, o dono deve saber interpretar indicadores-chave e tomar decisões estratégicas.

Precificação, vínculo com equipe e soluções práticas

Outro desafio recorrente é acertar o preço de venda. Segundo Semenzato, além de conhecer os custos internos, é preciso avaliar quanto o cliente está disposto a pagar e como a empresa se diferencia no mercado. Já em termos de equipe, transformar talentos essenciais em sócios minoritários pode reter profissionais e preservar o vínculo com os clientes.

Tanto na Loulou como na Calmy, clínica multidisciplinar mentorada por Semenzato, a recomendação periódica é revisar contratos, renegociar com fornecedores e adaptar a estrutura do negócio conforme a evolução do mercado.

O papel do autoconhecimento para crescer

No fim, a mensagem central foi clara: reconhecer onde termina sua zona de domínio e pedir ajuda – seja para aprimorar controles, rever preços ou expandir o time – é decisivo para sustentar o crescimento e evitar armadilhas que levam tantos negócios a patinar.

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