A recente instabilidade nos mercados globais, somada à desaceleração na redução da Selic, impactou negativamente as receitas dos bancos de investimento no Brasil. De acordo com os dados do segundo trimestre de 2026, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander relataram uma queda de 6% nas receitas provenientes de serviços de mercados de capitais, totalizando R$ 2,3 bilhões. Essa diminuição ocorre em um contexto onde as expectativas iniciais indicavam um aumento na atividade devido à antecipação de emissões antes da campanha eleitoral.

Fatores que Contribuíram para a Queda

As expectativas de um desempenho robusto no início do ano não se concretizaram como esperado. Apesar de um crescimento de 9% em relação ao ano anterior, a desaceleração significativa em comparação ao primeiro trimestre, que teve um aumento de 23%, levanta questões sobre a continuidade dessa tendência. O BTG Pactual, por exemplo, viu seu faturamento com banco de investimentos cair 33% no comparativo trimestral, totalizando R$ 421 milhões. A instituição atribuiu essa queda à redução da atividade no segmento de dívida, que contou com 24 ofertas e movimentou US$ 2,5 bilhões, uma diminuição expressiva em relação às 40 operações do mesmo período do ano anterior.

Expectativas para o Futuro

O presidente do BTG, Roberto Sallouti, acredita que os volumes de negócios devem melhorar nos próximos meses, embora não retornem aos níveis do primeiro trimestre. Ele destacou a crescente competição entre os bancos para posições em rankings, o que pode levar a uma revisão das práticas de precificação. Sallouti enfatizou que o banco não hesitará em abrir mão de participação de mercado se os preços não justificarem os riscos.

Por outro lado, o presidente do Itaú, Milton Maluhy, descreveu o comportamento do mercado de capitais como "errático" nos últimos meses. Apesar de um desempenho um pouco mais firme em junho, ele alertou que a atividade futura dependerá das condições econômicas.

Desempenho dos Principais Bancos

No caso do Bradesco, as receitas com mercado de capitais caíram 17% na comparação anual, totalizando R$ 526 milhões. O banco assessorou 122 operações, com um volume de R$ 174,2 bilhões. Em fusões e aquisições, o Bradesco movimentou R$ 7,7 bilhões em 10 negociações. O presidente da instituição, Marcelo Noronha, atribuiu a queda no faturamento a uma base de comparação desfavorável, já que 2025 foi um ano forte.

Analisando o primeiro semestre, Noronha destacou que o Bradesco liderou o ranking em emissões de renda fixa, com um volume de R$ 6 bilhões e uma participação de mercado de 21,8%. Na renda variável, o banco esteve presente em 11 operações, totalizando R$ 2,6 bilhões.

Considerações Finais

O cenário para os bancos de investimento é desafiador, com a perspectiva de que a instabilidade global e as variações na política monetária continuem afetando o setor. Embora haja sinais de recuperação, especialmente em áreas como fusões e aquisições, os próximos meses serão cruciais para determinar a trajetória definitiva das receitas no setor.

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