O Cenário Atual da Proteção no Brasil

O Brasil enfrenta um grande desafio em relação à proteção de sua economia contra riscos climáticos. Atualmente, apenas 9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro está segurado, segundo dados apresentados por Monique Cardoso, superintendente de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), durante o World Climate Summit, realizado em São Paulo no último dia 6. Essa porcentagem é alarmante se comparada aos países desenvolvidos, onde a proteção varia entre 20% a 50% do PIB.

Monique destacou que essa baixa cobertura representa uma lacuna significativa, conhecida como gap de proteção, que não abrange apenas bens materiais e pessoas, mas também a própria economia. Quanto menor a proteção, maior a vulnerabilidade financeira em situações de eventos catastróficos e crises econômicas.

Desafios Regionais e Estruturas de Proteção

A situação se agrava na região Norte do Brasil, onde apenas 2% das atividades estão cobertas por seguros. Durante o painel, Monique ressaltou que a ampliação da cobertura não é uma preocupação exclusiva das seguradoras, mas uma necessidade para a economia como um todo. A falta de mecanismos de proteção pode resultar em uma dependência excessiva dos cofres públicos após desastres, comprometendo investimentos futuros.

“É essencial que tenhamos camadas de recuperação que não dependam apenas do governo”, afirmou.

A Proposta das Seguradoras

O setor de seguros está buscando se reinventar, propondo uma atuação mais proativa na análise de projetos. A ideia é que as seguradoras participem desde a fase de planejamento, utilizando dados e modelos para identificar riscos e sugerir medidas que reduzam a exposição a perdas. Essa abordagem não apenas protege os investimentos, mas também pode atrair novos investidores, oferecendo garantias adicionais.

Para que essa transformação ocorra, no entanto, são necessários avanços regulatórios e novos modelos que integrem benefícios ambientais ao cálculo de risco e ao preço dos seguros. A necessidade de adaptação para enfrentar as mudanças climáticas é contínua, e não tem um fim definido, o que exige investimentos constantes.

A Percepção de Risco nas Empresas

Os desafios não param por aí. A percepção de risco das empresas em relação a novos investimentos, especialmente em tecnologias emergentes como biometano e combustíveis alternativos, é um entrave. Rodrigo Lauria, diretor de Mudança Climática e Carbono da Vale, sublinhou que não existe uma solução única para esses desafios. “A única maneira de não ter risco é não fazer”, resumiu Lauria.

Na Amazônia, a situação é ainda mais complexa. Luiz Lessa, CEO do Banco da Amazônia, destacou os obstáculos enfrentados na região, como a dificuldade de acesso ao sistema financeiro e à infraestrutura. Ele defendeu que a precificação do risco socioambiental deve ser incorporada nas taxas de juros dos projetos.

Conclusão

A discussão sobre a proteção do PIB brasileiro em face da crise climática é mais do que necessária; é urgente. Ampliar a cobertura de seguros é um passo crucial para garantir a resiliência econômica do país. A integração de soluções inovadoras e a conscientização sobre os riscos podem permitir que o Brasil enfrente os desafios climáticos de forma mais eficaz. Para mais informações atualizadas, visite brazileconomy.world.