Por uma noite, o município de Cavalcante, no interior de Goiás, viu sua rotina ser transformada pela passagem do Sertões, um dos maiores ralis do Brasil. Uma verdadeira "cidade sobre rodas" reuniu cerca de 2,5 mil pessoas entre competidores, mecânicos, médicos, familiares e equipes de apoio, movimentando intensamente a economia local.

Logística de uma cidade itinerante

Embora aproximadamente 300 sejam competidores, o Sertões envolve uma estrutura muito mais ampla. O evento conta com cozinhas industriais, oficinas mecânicas, dormitórios, posto médico e até geradores próprios. Segundo Leonora Guedes, CEO do Sertões, o planejamento da operação começa cerca de um ano antes e necessita de áreas entre 60 mil e 70 mil metros quadrados nas cidades anfitriãs, além de infraestrutura básica como água, energia e hospedagem.

A logística é tão complexa que a organização funciona em duplicidade: enquanto parte da equipe desmonta a estrutura atual, outra já prepara a chegada no próximo município. "Temos duas equipes espelhadas. Enquanto estamos aqui, outra estrutura já está no destino seguinte. De fato, somos um circo itinerante", explica o diretor técnico Edgar Fabre.

Impacto econômico e social no comércio

O impacto da caravana do Sertões se faz sentir especialmente nas pequenas cidades. O súbito aumento da demanda por hospedagem, alimentação, combustíveis e serviços provoca lotação em hotéis e restaurantes, além de exigir reforço de estoques em supermercados, padarias e postos de combustível. Pequenos comerciantes, como Éder Araújo, aproveitam a oportunidade para oferecer bebidas e alimentos nas praças próximas à estrutura montada.

Moradores também adaptam seus negócios, como Irene Francisca, que preparou doces de caju para vender durante o evento, aproveitando o fluxo de visitantes. O benefício se estende até mesmo à infraestrutura: habitantes locais oferecem pontos de energia de suas casas e cozinhas improvisadas alimentam competidores e equipes.

Desafio da desmontagem e efeito passageiro

A passagem do Sertões é breve, mas marcante. Em poucas horas, barracas, caminhões e equipamentos são desmontados e seguem para a próxima etapa, como ocorreu quando a caravana deixou Cavalcante rumo a Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, em um trajeto de 635 quilômetros.

O movimento intenso gera oportunidade de renda rápida para comerciantes e serviços da região, mas o desafio é manter parte desse dinamismo após a partida da caravana. Para os moradores, além da lembrança do evento, fica o impulso econômico e a expectativa de novas oportunidades trazidas por grandes eventos itinerantes como o Sertões.

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