O setor de serviços do Brasil registrou crescimento de 2% no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A informação coloca o setor como um dos principais motores da economia nacional ao longo do ano e destaca sua resiliência ao manter níveis superiores ao período anterior à pandemia de covid-19.
Serviços mantêm desempenho estável em junho
No recorte de junho, a atividade de serviços permaneceu estável, sem apresentar variação significativa frente ao mês de maio. No acumulado dos últimos 12 meses até junho, o setor avançou 2,6%. Já no segundo trimestre de 2026, o crescimento foi de 0,4% em relação ao primeiro trimestre do ano, sinalizando um ambiente de acomodação, mas sem retração relevante.
Segmentos em destaque e desafios
A análise por segmento mostra que três das cinco grandes atividades pesquisadas tiveram alta no semestre:
- Serviços prestados às famílias: +2%
- Serviços de informação e comunicação: +6,8%
- Serviços profissionais, administrativos e complementares: +2,4%
Por outro lado, o segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio recuou 1,2%.
O índice de atividades turísticas, após ganhar importância no pós-pandemia, recuou 3,4% em junho na comparação mensal. No acumulado do ano, o segmento aponta queda de 0,9%, embora, em 12 meses, registre alta de 1%. Ainda assim, o turismo opera 6,6% acima do patamar pré-pandemia, mas continua 6,2% abaixo do maior nível histórico registrado em dezembro de 2024.
Contexto e tendência do setor de serviços
Segundo Rodrigo Lobo, gerente da pesquisa do IBGE, o atual desempenho do setor indica manutenção próxima ao ponto mais elevado da série histórica, alcançado em outubro de 2025, com a atividade ficando apenas 0,3% abaixo do recorde. Em relação aos níveis pré-pandemia, os serviços seguem 19,9% acima dos indicadores de fevereiro de 2020.
Contudo, o ritmo de expansão diminuiu em comparação com recentes semestres. Para ilustrar, no primeiro semestre de 2025, a expansão acumulada foi de 2,7%, ante os 2% atuais, demonstrando alguma moderação, mas sem inversão de trajetória.
O setor de serviços segue essencial para o mercado de trabalho brasileiro, englobando áreas como transporte, turismo, restaurantes, salões de beleza, internet e tecnologia da informação.
O que esperar do setor nos próximos meses
A estabilidade observada deve continuar enquanto não surgirem novos impulsionadores de demanda. Analistas avaliam que o setor pode enfrentar um avanço mais moderado no segundo semestre, refletindo o cenário de juros ainda elevados e a normalização pós-pandêmica de importantes segmentos como turismo e transportes. Para o IBGE, o setor não indica sinais de desaceleração brusca e permanece suporte fundamental da economia nacional.
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