O fenômeno Super El Niño pode provocar uma alta significativa nos preços dos alimentos no Brasil em 2027, de acordo com um alerta do banco JP Morgan divulgado em 24 de julho. Segundo o relatório, caso o evento climático se confirme com grande intensidade, pode acrescentar entre 1,3 e 1,5 ponto percentual à inflação de alimentos no país, tornando o Brasil um dos mercados emergentes mais vulneráveis aos impactos.
Riscos climáticos e impactos econômicos
O El Niño é conhecido por alterar os padrões de chuva e temperatura, afetando diretamente a agricultura. O Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos projetou em julho uma chance de 81% de ocorrência de um episódio muito forte entre outubro e dezembro de 2026 e 97% de persistência do fenômeno até o início de 2027. Essa irregularidade climática pode prejudicar safras de café, cacau, açúcar e arroz — setores de peso para a economia brasileira.
Além disso, o aumento nos custos de insumos, como fertilizantes e diesel, potencializado por conflitos no Oriente Médio e possíveis dificuldades logísticas no estreito de Ormuz, tende a refletir no preço final dos alimentos após alguns meses. O JP Morgan ressalta que se esses fatores coincidirem com o Super El Niño, a pressão inflacionária pode ser ainda mais severa.
Brasil entre os mais vulneráveis
Entre os países emergentes, Índia, Indonésia, Brasil e Colômbia foram destacados como especialmente suscetíveis a essas variações, devido ao maior peso dos alimentos no orçamento das famílias e à forte dependência do clima para a produção agrícola. No Brasil, estimativas do Banco Central divulgadas em junho já apontam que o El Niño poderia adicionar 0,3 ponto percentual à inflação de 2026 e até 0,4 ponto em 2027, reforçando o alerta do banco internacional.
Estoques globais e perspectiva de abastecimento
Apesar do risco de elevação de preços, não se espera, em um primeiro momento, um desabastecimento generalizado de alimentos, segundo o JP Morgan. Os estoques globais de grãos e arroz permanecem em níveis considerados seguros para amortecer possíveis perdas de produção. O desafio central será o aumento prolongado nos custos, que pode pesar no bolso do consumidor ao longo de 2027 caso o cenário climático e de insumos se agrave.
A FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) também externou preocupação este mês, reforçando que conflitos geopolíticos, oferta limitada de fertilizantes, energia cara e oscilações climáticas podem gerar nova pressão sobre os preços internacionais e internos dos alimentos.
O que esperar nos próximos meses
Com a previsão de um El Niño mais intenso se aproximando, produtores rurais, indústria alimentícia e autoridades monitoram de perto as projeções de clima e custos. Políticas de estoques e incentivos à produção podem mitigar parte do impacto, mas analistas recomendam atenção redobrada para adaptações rápidas diante de mudanças bruscas. O tema deve ganhar ainda mais destaque no início de 2027, especialmente se os primeiros sinais de pressão inflacionária persistirem.
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