A Suzano apresentou lucro líquido de R$ 1,8 bilhão no segundo trimestre de 2026, uma queda de 64% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do recuo, o CFO Marcos Assumpção ressaltou que a redução não indica qualquer deterioração estrutural na companhia, apontando para indicadores operacionais positivos e a entrada de receitas futuras com a joint venture recém-firmada.

Queda no lucro não afeta base operacional da Suzano

O resultado refletiu também uma receita líquida de R$ 11,5 bilhões (recuo de 13%) e Ebitda ajustado de R$ 4,7 bilhões (queda de 23%). Assumpção explicou que a variação cambial e a atualização monetária da dívida influenciaram fortemente o lucro, sem, no entanto, afetar de forma relevante o caixa da companhia. "O resultado operacional veio sólido, com volume crescendo tanto em papel quanto em celulose", afirmou o CFO.

Segundo ele, o fluxo de caixa livre da Suzano avançou 27% no segundo trimestre, sustentado por redução de custos com investimentos (Capex) e liberação de capital de giro, incluindo a venda de ativos não estratégicos. A dívida líquida da companhia terminou o trimestre em US$ 12,8 bilhões.

Fatores que afetaram as vendas e a produção

A queda nas vendas de celulose (-11%) e de papel (-1%) foi atribuída, principalmente, à concentração de paradas programadas em suas fábricas, destinadas à manutenção. "Praticamente metade das nossas fábricas esteve parada, impactando o volume disponível para o mercado", detalhou Assumpção. Ainda assim, os estoques foram mantidos em níveis controlados e os preços obtidos se beneficiaram do cenário favorável na Europa e nos Estados Unidos entre abril e junho.

Joint venture Arbex traz perspectivas positivas

A conclusão da joint venture com a Kimberly-Clark, ocorrida em 1º de julho, deverá impactar positivamente os próximos resultados da Suzano. O acordo resultou na criação da empresa Arbex, cuja receita estimada é de US$ 3,5 bilhões e o Ebitda projetado, de cerca de US$ 500 milhões. “A Arbex traz estabilidade e ampla diversificação geográfica de receita, reduzindo a volatilidade típica do negócio de celulose”, destacou o executivo. A presença da nova empresa abrange Europa, América Latina, América Central e Ásia, ampliando o alcance global dos resultados da Suzano.

A expectativa é que, já a partir do terceiro trimestre de 2026, a participação da Arbex esteja refletida nos demonstrativos financeiros, fortalecendo ainda mais a diversificação e a resiliência da Suzano frente aos desafios do setor.

Próximos passos e cenário para o investidor

Com os estoques equilibrados, investimentos controlados e maior diversificação, a Suzano busca atravessar 2026 ampliando sua capacidade de geração de caixa e estabilidade operacional. O mercado deve acompanhar, especialmente, como a consolidação da Arbex influenciará os números a partir do próximo trimestre.

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