Cinco anos após a retomada do controle do Afeganistão em 15 de agosto de 2021, o regime talibã tem se esforçado para reconquistar espaço no cenário diplomático internacional. Recentemente, o grupo começou a negociar com países ocidentais, incluindo membros da União Europeia, em um esforço para melhorar sua imagem e receber apoio em questões de combate ao terrorismo e gestão migratória.

Este movimento ocorre em um contexto onde o Talibã enfrenta críticas severas relacionadas aos direitos humanos. Apesar disso, a reaproximação com nações ocidentais parece ser uma estratégia para aliviar a pressão internacional sobre o regime, que continua a adotar medidas rigorosas em relação à liberdade de expressão e direitos das mulheres.

A pacificação do Afeganistão, segundo especialistas, foi alcançada não apenas pela força militar, mas também pelo cansaço da população após anos de conflito. Dados do South Asia Terrorism Portal indicam que em 2025, menos de 100 civis perderam a vida em ataques terroristas, um número consideravelmente menor em comparação a anos anteriores. A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão reconheceu uma redução significativa na violência, enquanto o Uppsala Conflict Data Program classifica o país como em paz desde 2022.

Entretanto, a situação econômica continua a ser crítica. O governo talibã arrecada cerca de US$ 4 bilhões anualmente em impostos, quase 60% a mais do que em 2020, conforme reportado pelo Banco Mundial. Apesar desse aumento na receita, a inflação anualizada no Afeganistão chegou a 7,6% em março de 2026, e o PIB per capita é de apenas US$ 2.300, refletindo um nível semelhante ao de meados dos anos 2000.

As Nações Unidas estimam que 21,9 milhões de afegãos, aproximadamente 45% da população, precisarão de assistência humanitária em 2026, enquanto mais de 3,7 milhões de crianças enfrentam desnutrição aguda. O retorno forçado de cerca de 6 milhões de afegãos, oriundos do Paquistão e do Irã, agrava ainda mais a crise humanitária. O fechamento da fronteira pelo Paquistão tem elevado os preços dos alimentos, e a situação se tornou ainda mais complexa após um ataque no Paquistão que resultou na morte de 269 pessoas.

Ademais, o Afeganistão se destaca por ser o único país que proíbe formalmente as meninas de frequentar escolas além do ensino primário. Atualmente, cerca de 2,4 milhões de meninas estão afastadas das salas de aula devido a mais de 100 decretos que restringem suas atividades. A taxa de alfabetização no país é alarmantemente baixa, de apenas 37%.

O emir de Kandahar, Haibatullah Akhundzada, que possui cerca de 60 anos, mantém um controle rígido sobre o regime e raramente aparece em público. Com uma abordagem severa em relação à dissidência, as forças de segurança respondem com brutalidade a qualquer forma de oposição. A mortalidade materna em regiões como Herat aumentou cinco vezes no primeiro semestre de 2026 em comparação ao mesmo período do ano anterior, destacando a fragilidade da saúde pública sob o regime atual.

O isolamento internacional do Talibã começou a se desfazer em 2023, quando representantes de missões diplomáticas britânica e alemã passaram a viajar com mais frequência a Cabul. Em 2025, os Estados Unidos retiraram sanções de três altos funcionários talibãs, e em junho de 2026, uma delegação do Talibã negociou em Bruxelas com representantes de cerca de 15 países da União Europeia sobre o retorno de afegãos que tiveram seus pedidos de asilo negados. A ONU defende um diálogo mais profundo com o regime talibã, apesar das questões de direitos humanos que permanecem sem solução.

A reaproximação do Talibã com a comunidade internacional levanta questões complexas sobre a eficácia das negociações e o futuro do país, que ainda enfrenta enormes desafios sociais e econômicos. Para mais notícias sobre a situação no Afeganistão e outras atualidades, visite brazileconomy.world.