As contas de luz e água ficaram mais caras em julho e contribuíram diretamente para o leve aumento da inflação brasileira no mês, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,07% em julho, abaixo dos 0,16% de junho, porém ainda influenciado pelos reajustes nas tarifas dos serviços essenciais.

Contas de energia e água são os principais vilões

A tarifa de energia elétrica residencial subiu 3,09% em julho, representando o principal impacto individual no IPCA do mês. O avanço significativo foi puxado especialmente pelos reajustes em cidades como Curitiba (19,55%), São Paulo (8,85%, em uma concessionária) e Porto Alegre (14,89%). Além disso, permanece o efeito da bandeira tarifária amarela, que adiciona R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos nas faturas, elevando ainda mais o peso das contas de luz para as famílias brasileiras.

No caso da tarifa de água e esgoto, o aumento médio foi de 0,40%, impulsionado principalmente pelos reajustes em capitais como Salvador (3,57%), Porto Alegre (5,77%), Brasília (3,97%) e Rio Branco (6%). O grupo 'Habitação' acumulou uma alta de 0,99%—o maior impacto entre os grupos pesquisados para a formação do índice oficial de inflação no mês.

Impactos em outros setores

Enquanto as contas básicas dispararam, alimentos e bebidas ajudaram a conter o avanço do custo de vida. O grupo 'Alimentação e Bebidas' recuou 0,67% em julho, graças à queda de preços de produtos como tomate (-29,09%), batata-inglesa (-19,59%), cenoura (-14,41%) e café moído (-2,45%). Por outro lado, itens como leite longa vida (2,47%) e frutas (1,20%) subiram.

Já a alimentação fora de casa ficou mais onerosa, com avanço de 0,55%, enquanto outros grupos como saúde e cuidados pessoais também registraram alta, motivados, principalmente, por reajustes em planos de saúde autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

No setor de transportes, houve estabilidade no preço médio (alta de 0,05%), resultado do aumento das passagens aéreas (11,67%) e da queda dos combustíveis—etanol (-2,26%), gasolina (-1,37%), diesel (-1,22%) e gás veicular (-0,08%).

Diferenças regionais da inflação de julho

No recorte por capitais, Rio Branco liderou com inflação de 0,32%, enquanto Belém teve a menor variação: -0,45%, beneficiada pela redução dos preços da gasolina e do açaí. O comportamento dos preços reflete, principalmente, decisões regulatórias e fatores sazonais nas tarifas e preços de alimentos em cada cidade.

Projeção e próximos passos

Mesmo com este aumento nas contas básicas, a inflação acumulada no ano (4,44%) permanece abaixo do teto da meta oficial de 4,5%. Analistas seguem acompanhando o comportamento das tarifas reguladas e dos preços de alimentos, que são decisivos para a trajetória da inflação nos próximos meses. O próximo boletim do IBGE será fundamental para entender se a pressão das contas de energia e água continuará em agosto.

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