O ex-primeiro-ministro Zhu Rongji, reconhecido globalmente como um dos principais arquitetos da modernização econômica da China, faleceu nesta quarta-feira (17) em Pequim, aos 97 anos, conforme divulgou a agência estatal Xinhua. Zhu foi uma figura central nos anos 1990 e início dos anos 2000, guiando o país rumo à inserção no mercado internacional por meio de reformas profundas e da adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Trajetória marcada por superação e inovação

Zhu iniciou sua carreira como planejador econômico, mas encontrou obstáculos com o governo chinês durante o movimento anti-direitista de 1957, quando foi afastado do cenário político e ficou afastado por duas décadas, acusado de simpatizar com reformas realizadas na Hungria e Iugoslávia. Somente com a abertura econômica da China, a partir do final dos anos 1970, Zhu retornou ao protagonismo, consolidando-se como gestor rigoroso e reformista.

Papel crucial nas reformas econômicas da China

Como primeiro-ministro entre 1998 e 2003, Zhu Rongji promoveu políticas que transformaram a economia chinesa. Entre suas conquistas, destacam-se:

  • Coordenação da reestruturação das empresas estatais, tornando-as competitivas para o cenário internacional;
  • Redução drástica da inflação e maior abertura ao capital estrangeiro;
  • Negociação e entrada formal da China na OMC, em 2001, marco decisivo para a explosão das exportações e do crescimento chinês na década seguinte.

Segundo analistas, a postura firme de Zhu possibilitou o controle da inflação, a atração de gigantescos investimentos internacionais e a aproximação da China com mercados estratégicos, incluindo o Brasil, com quem os laços comerciais se tornaram cada vez mais sólidos a partir dos anos 2000.

Impacto global e legado para o Brasil

A adesão da China à OMC sob a liderança de Zhu Rongji abriu portas para parcerias econômicas mais robustas com diversos países, principalmente na América Latina. O Brasil, maior economia da região, tornou-se um dos principais parceiros comerciais dos chineses, sobretudo no agronegócio e mineração. A presença da China se consolidou como fundamental para o superávit da balança comercial brasileira.

Zhu deixou um legado de pragmatismo e abertura econômica que influencia políticas ao redor do mundo. Sua morte marca o fim de uma era, mas suas decisões continuam ressoando nos rumos da política econômica chinesa e nas relações bilaterais Brasil-China.

O que esperar das relações Brasil-China a partir de agora

A relevância do legado de Zhu Rongji continuará sendo debatida entre especialistas e empresários ao redor do mundo. A expectativa é que a cooperação econômica entre Brasil e China permaneça sólida, com potencial de expansão em setores como tecnologia, energia renovável e infraestrutura.

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