Os resultados do segundo trimestre divulgados por Itaú (ITUB4), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) trouxeram novos elementos de atenção para a próxima divulgação do Banco do Brasil (BBAS3), marcada para 12 de agosto. A performance desses grandes bancos reforçou o cenário de manutenção nas receitas financeiras em razão dos juros elevados, mas, ao mesmo tempo, trouxe à tona preocupações sobre a qualidade dos ativos, sobretudo no segmento agropecuário, que é central para o Banco do Brasil.

Carteira do agronegócio em destaque

A exposição à carteira ligada ao agronegócio se mostrou um ponto sensível após os números do Bradesco, principalmente pelo desempenho do John Deere Bank, voltado ao financiamento rural e do qual o Bradesco é sócio. Segundo análise do JPMorgan, cerca de 10% da carteira do John Deere Bank transitou do Stage 1 para o Stage 2 no trimestre, indicando aumento do risco de inadimplência e necessidade de provisões maiores, com R$ 1,7 bilhão em operações impactadas. Esse movimento alerta para o que pode surgir no balanço do Banco do Brasil, já que o segmento rural representa 32% da carteira ampliada do banco.

Risco e prudência nos balanços

A temporada de balanços evidenciou que, apesar dos lucros expressivos de Bradesco (R$ 7,05 bilhões de lucro recorrente) e a resiliência do Itaú, as carteiras mais sensíveis enfrentam maiores desafios. O Santander confirmou o cenário, frustrando investidores ao elevar provisões e mostrar receitas menos robustas, sinalizando crédito mais seletivo e conservador na concessão.

O Banco do Brasil será observado quanto ao volume de provisões no segmento rural e à evolução da inadimplência. Desde o início do ano, o desempenho da carteira agro vem sendo central para a tese de investimento do banco estatal, com preocupações sobre capacidade de absorção de perdas sem perder rentabilidade.

Diversificação e resiliência

Apesar dos alertas, nem tudo é negativo: o Itaú demonstrou que estratégias seletivas e diversificação têm sido eficazes para manter a qualidade dos ativos — a inadimplência acima de 90 dias ficou estável em 1,9%. O banco também conseguiu elevar lucros e manter um ROE de 24,3%, mesmo ao reduzir expectativas para tarifas e seguros. Esse resultado mostra que o Banco do Brasil poderá mitigar eventuais pressões do agro por meio de receitas de outros serviços e boa gestão da margem financeira.

Expectativa para o Banco do Brasil e próximos passos

Analistas, como os do JPMorgan, ponderam que parte das operações rural em Stage 2 consegue se recuperar após renegociações e regularização de pagamentos. O mercado também acompanha os impactos da MP 1376, que facilita a renegociação de dívidas do setor rural — potencial para aliviar pressão sobre produtores e inadimplência nos próximos trimestres.

Neste contexto, o mercado espera que o balanço do Banco do Brasil sirva como termômetro para o setor e reposta para o possível contágio dos sinais vistos em outros bancos. O papel do Banco do Brasil como maior financiador do agro dará dimensão real dos desafios enfrentados e orientará o sentimento dos investidores sobre crédito e risco no segmento.

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