O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou nesta semana seu balanço do segundo trimestre de 2026, reportando lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões, elevação de 3,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do avanço nos lucros, chamou a atenção do mercado o forte aumento da inadimplência, especialmente nos segmentos de pessoas físicas e do agronegócio.
Inadimplência preocupa no cenário de alta de crédito
O índice de inadimplência para atrasos acima de 90 dias cresceu para 5,61%, em contraste com os 3,96% registrados um ano antes. No trimestre anterior, esse indicador estava em 5,05%. O fenômeno é ainda mais acentuado entre pessoas físicas, onde o atraso saltou para 8,41% ante os 5,59% há um ano. No agronegócio, o índice praticamente dobrou, atingindo 6,27%. Por outro lado, entre as empresas, a inadimplência caiu levemente para 3,18%.
As provisões líquidas para perdas de crédito acompanharam o movimento e aumentaram 16,1%, ultrapassando R$ 18,4 bilhões. O próprio Banco do Brasil afirma que a elevação das perdas esperadas reflete principalmente o crescimento da inadimplência no crédito rural.
Indicadores operacionais e de margem financeira
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do banco ficou em 8,3% no segundo trimestre, ligeiramente abaixo do registrado há um ano (8,4%) e acima do observado no início de 2026 (7,3%). Os ativos totais atingiram R$ 2,58 trilhões, crescimento de 6% em doze meses. Em termos de receitas financeiras, a margem bruta somou R$ 27,48 bilhões, alta de 9,6%, beneficiada pelo desempenho da tesouraria e operações de mercado.
Apesar do avanço nas receitas, a margem financeira líquida, que desconta o custo do crédito, teve pequena retração anual de 1,8%, fechando em R$ 9,01 bilhões. O banco atribui parte dessa pressão aos maiores custos com provisões e à queda no financiamento imobiliário para pessoas físicas, que recuou 5,3% em um ano.
Carteira de crédito e setores em destaque
O saldo da carteira de crédito expandido ultrapassou R$ 1,3 trilhão, alta de 1,5% em doze meses. Os destaques positivos ficaram para as operações de crédito consignado, com crescimento anual de 5,8% e saldo expressivo de R$ 15,7 bilhões por meio de descontos em folha, avanço de 128% em 12 meses. Já no segmento agro, a carteira cresceu 4,1% em um ano, alcançando R$ 421,6 bilhões. O BB ressaltou o aumento nas operações garantidas por alienação fiduciária, predominantes na safra 25/26.
Por outro lado, a carteira de micro, pequenas e médias empresas apresentou retração de 9,3% em um ano, sendo impactada especialmente pela menor demanda por capital de giro. O índice de cobertura para atrasos acima de 90 dias caiu para 148,5%, ante 183,2% em junho de 2025, indicando menor colchão para cobertura de inadimplentes.
Receita de serviços, seguros e perspectivas
As receitas com prestação de serviços atingiram R$ 9,1 bilhões, crescimento de 4,2% na comparação anual, impulsionadas por linhas como administração de fundos e contas correntes. A receita de seguros e previdência permaneceu praticamente estável, em R$ 1,4 bilhão.
Segundo comunicado do próprio BB, "a geração de receitas segue sólida, evidenciando a capacidade negocial do banco, a força do conglomerado e o relacionamento próximo com os clientes". O banco segue monitorando a qualidade da carteira, adotando ajustes nos critérios de concessão de novas operações — especialmente diante do cenário de persistente inadimplência elevada entre famílias e produtores rurais.
Tendências e próximos passos
Apesar do crescimento do lucro líquido, o Banco do Brasil enfrenta o desafio de equilibrar a expansão do crédito com a deterioração dos indicadores de inadimplência. O mercado continuará atento às estratégias do banco para conter o avanço dos atrasos, à performance das carteiras de agronegócio e pessoa física e às próximas divulgações trimestrais. Os resultados reforçam a necessidade de ajustes prudenciais diante de um ambiente de risco de crédito mais elevado.
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