A Braskem, uma das maiores petroquímicas da América Latina, está avaliando um pedido de recuperação extrajudicial, com possibilidade de protocolar a medida ainda em agosto. O objetivo é enfrentar um passivo superior a US$ 10 bilhões em dívidas vinculadas às suas operações no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa. Segundo fontes próximas ao processo, ouvidas pela agência Reuters, a empresa estuda um plano que prevê 90 dias de suspensão das cobranças ("stay period") para negociar um acordo global com os credores.
Contexto: desafios operacionais e financeiros
Controlada atualmente pela IG4 Capital e pela Petrobras, após a saída da Novonor (ex-Odebrecht), a Braskem vem sendo pressionada por um cenário adverso no setor petroquímico, que passa por um ciclo de baixa prolongado. Os preços deprimidos nesse segmento reduziram a geração de caixa da empresa. Além disso, o agravamento da situação financeira ocorreu após o desastre ambiental ocasionado pelas minas de sal em Alagoas, evento que impactou não apenas a reputação, mas também os custos e a saúde financeira do grupo.
Negociações com credores e resistência
Apesar das conversas em andamento com credores, que envolvem desde bancos até detentores de bônus, ainda não houve consenso sobre a reestruturação das dívidas. Um dos pontos polêmicos é a proposta apresentada pela Braskem para pagamento do principal com carência de cinco anos e a suspensão de juros por dois anos e meio, iniciativa que acabou sendo recusada pelos credores, de acordo com fontes ligadas às negociações.
O modelo de recuperação extrajudicial, se confirmado, pretende evitar um processo mais longo de recuperação judicial e facilitar uma solução negociada, proporcionando 90 dias de respiro para novas tratativas. Essa janela temporária visa evitar ações judiciais enquanto as partes buscam um consenso sobre a reestruturação.
Próximos passos e impacto no mercado
A Braskem trabalha contra o relógio, pois a proteção obtida por medida cautelar em junho expira em 24 de agosto. Caso nenhuma alternativa seja firmada, poderá optar pelo pedido formal de recuperação extrajudicial para proteger seu caixa e suas operações.
Outra frente de preocupação é a dívida de cerca de US$ 2 bilhões de sua subsidiária mexicana, para a qual também estão sendo consideradas alternativas como o Chapter 11 da legislação norte-americana, de modo a alinhar prazos e procedimentos com as negociações no Brasil.
O mercado acompanha de perto a situação da Braskem, uma vez que a definição do processo pode se tornar referência para outras companhias do setor industrial brasileiro em cenário de baixa conjuntura. Investidores e analistas aguardam informações oficiais e possíveis comunicados da empresa nos próximos dias.
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