A taxa média de juros do empréstimo pessoal apresentou queda em agosto de 2026, recuando de 8,50% para 8,23% ao mês. O dado faz parte de pesquisa realizada pelo Procon-SP, que acompanhou as condições oferecidas por seis grandes instituições financeiras. Apesar da redução mensal de 0,27 ponto percentual, o juro anualizado segue elevado, chegando a 158,42% ao ano.

Resultado da pesquisa e metodologia

O estudo do Procon-SP considerou as taxas máximas pré-fixadas destinadas a clientes pessoa física não preferenciais, com prazo de contrato de 12 meses. Foram avaliadas condições do Bradesco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú, Safra e Santander. Os dados foram coletados em 4 de agosto de 2026, abrangendo todos os canais de contratação disponíveis.

Além do empréstimo pessoal, a pesquisa também monitorou a taxa média do cheque especial, que permaneceu em 8% ao mês. Essa marca segue o teto máximo permitido pelo Banco Central do Brasil (BCB) desde janeiro de 2020, após decisões regulatórias visando conter excessos nessa modalidade de crédito.

Diferenças entre bancos e impacto para o consumidor

A redução da taxa média no empréstimo pessoal foi impulsionada, principalmente, por ajustes nas condições do Bradesco, cujos juros caíram de 8,83% para 7,47% ao mês, e do Banco do Brasil, que passou de 7,43% para 7,20%. Já as demais instituições mantiveram os valores praticados anteriormente, indicando pouca flexibilidade no cenário concorrencial.

Um ponto que chama atenção é a diferença expressiva entre a menor e a maior taxa apurada, chegando a 2,79 pontos percentuais. Essa disparidade reforça a importância da pesquisa prévia antes de contratar crédito, já que custos finais podem variar drasticamente a depender da instituição escolhida.

Contexto financeiro e cuidados no uso do crédito

Mesmo com o recuo na média, o empréstimo pessoal segue com custo elevado no Brasil. Taxas próximas de 8% ao mês resultam em juros compostos anuais que ultrapassam 158%, tornando essa alternativa impraticável para casos em que não há real urgência ou planejamento. Especialistas recomendam cautela ao recorrer a essa modalidade, principalmente em um cenário de inflação controlada e queda da Selic — fatores que, em teoria, poderiam pressionar por reduções mais fortes nos juros ao consumidor.

No caso do cheque especial, a manutenção do teto de 8% ilustra a atuação regulatória do BCB, mas o custo ainda é considerado alto perante padrões internacionais. Com o mercado de crédito brasileiro aquecido, bancos seguem operando com ampla margem, apesar de políticas recentes para incentivar crédito mais barato.

Perspectivas para os próximos meses

A expectativa é que, com eventuais novos cortes da Selic e pressão de órgãos de defesa do consumidor, as taxas das linhas de crédito ao consumidor possam recuar ainda mais ao longo do segundo semestre. Analistas indicam que a concorrência entre bancos pode se acirrar caso haja melhora significativa nas condições macroeconômicas e queda da inadimplência.

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